Novas técnicas de imagem e navegação 3D transformam cirurgias de coluna em procedimentos mais seguros com recuperações mais rápidas

Cirurgiões de coluna precisam dominar, cada vez mais, a interpretação avançada de ressonância magnética. O mercado global de tecnologias para esses procedimentos movimentou entre US$ 1,1 bilhão e US$ 1,4 bilhão em 2024, com crescimento anual projetado entre 4,5% e 7%, segundo a The Business Research Company.
A técnica, considerada minimamente invasiva, depende de planejamento detalhado por imagem para definir os corredores de acesso e evitar lesões a estruturas nervosas e vasculares, segundo informações das autoridades de saúde.
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 7.675 artrodeses de coluna entre janeiro e agosto de 2024, segundo dados do Ministério da Saúde. As artrodeses são fusões vertebrais que representam o principal indicador de cirurgias complexas de coluna. O procedimento mais comum é a artrodese toraco-lombo-sacra, que responde por 52,7% dos casos. O histórico acumulado de 2015 até agosto de 2024 soma 98.798 procedimentos.
Os avanços científicos fizeram com que a ressonância magnética fosse, além de instrumento para o diagnóstico, crítica para o planejamento cirúrgico direto. A técnica dominou o mercado de imagem espinhal em 2023, gerando US$ 853,6 milhões em receita e detendo 41% de participação, de acordo com a Global Market Insights.
O equipamento supera a tomografia computadorizada e o raio-X na visualização de tecidos moles, exibindo detalhes da medula, nervos e discos. Por não utilizar radiação ionizante, permite a realização repetida de exames em pacientes que precisam de monitoramento contínuo ou pós-operatório, além de demonstrar sensibilidade superior na detecção de tumores e abscessos próximos à medula, conforme a Precedence Research.
Tecnologia evita riscos ao paciente
Um exemplo recente, de 2024, veio da Duke University, onde pesquisadores implementaram a neurosegmentação tridimensional. A técnica usa imagens de ressonância para criar um “mapa” detalhado que orienta o neurocirurgião coluna sobre pontos problemáticos e caminhos seguros para operar.
O método define marcos, como o triângulo de Kambin e corredores transfacetários, permitindo estipular o diâmetro máximo da cânula e a abordagem ideal conforme a anatomia de cada paciente.
Outros pesquisadores, estes do Seoul National University Bundang Hospital, descrevem que, em procedimentos como a Fusão Intercorporal Lombar Lateral (LLIF), os cirurgiões precisam analisar três tipos de exames de imagem: ressonância magnética, raios-X e tomografia.
O objetivo é verificar se vasos sanguíneos do abdômen ou o osso do quadril estão no caminho até a região entre as vértebras que precisa ser operada. Sem essa avaliação prévia, o risco de complicações aumenta.
Sistemas aceleram diagnóstico em imagens da coluna
Sistemas baseados em Inteligência Artificial (IA), como o DeepSpine, podem fornecer quantificação e métricas automatizadas da coluna lombar em exames de ressonância magnética, de acordo com a Precedence Research. A integração de IA ajuda as equipes cirúrgicas para reduzir erros de interpretação e otimizar a eficiência diagnóstica.
Paralelamente, sistemas de ressonância magnética de alto campo e técnicas multiparamétricas aumentaram a resolução e a velocidade de aquisição de imagens, ambas indispensáveis para guiar cirurgias minimamente invasivas.
Procedimentos reduzem trauma e consumo de analgésicos
Estudos clínicos reportam que pacientes submetidos à cirurgia minimamente invasiva da coluna apresentam menor perda sanguínea intraoperatória, recuperação mais rápida e menor tempo de internação hospitalar, conforme pesquisas do Seoul National University Bundang Hospital. O consumo de opióides, remédios analgésicos, pós-operatórios também diminui nesses casos, segundo pesquisadores da Duke University.
A cirurgia endoscópica, uma modalidade dentro da MISS, reduz o trauma relacionado à abordagem, preserva o suprimento sanguíneo epidural e diminui a cicatrização e fibrose epidural. A técnica emprega câmeras de alta resolução com ângulos de 0° a 90°, o que amplia a visão do campo cirúrgico mesmo por meio de incisões menores.
Os sistemas de navegação cirúrgica funcionam como um GPS dentro do corpo: criam um mapa em 3D da coluna e guiam os médicos em tempo real durante a operação. A tecnologia aumenta a precisão quando cirurgiões precisam inserir parafusos nas vértebras através de pequenos cortes na pele. Outro benefício é a redução em mais de 90% do risco de exposição à radiação para os próprios cirurgiões.
Setor cresce com aumento de doenças degenerativas
Avaliados em US$ 2,1 bilhões em 2023, os serviços de imagem espinhal crescem impulsionados por casos de hérnia de disco, estenose e espondilolistese, segundo a Global Market Insights e a Precedence Research.
Relatórios do setor associam o aumento de doenças degenerativas ao envelhecimento populacional e ao desgaste natural da coluna. O sedentarismo e a obesidade são citados como fatores que agravam distúrbios vertebrais, incluindo a estenose espinhal.

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